A hegemonia liberal no Brasil. Por que nacionalistas brasileiros não devem apoiar Bolsonaro.
O que é nacionalismo no contexto brasileiro?
Primeiramente, é necessário deixar claro que quando mencionamos a palavra “nacionalista”, o fazemos com base no pensamento genuíno de defesa dos interesses nacionais (de ordem econômica, política e social), manifestada na história recente do Brasil tanto por elementos de esquerda, como é caso do governo de Getúlio Vargas, suas “campanhas de nacionalização” e defesa dos interesses trabalhistas, como por retóricas mais à direita, caso do saudoso Enéas Ferreira Carneiro (já falecido e que jamais teve a oportunidade de incorporar suas ideias ao projeto político brasileiro).
A ameaça não é comunista, e sim liberal e norte-americana.

Enéas, ícone messiânico brasileiro, jamais apoiaria Jair Bolsonaro e sua guinada ao “conservadorismo” liberal americano.
Bolsonaro representa a política externa americana e sionista
Jair Bolsonaro conseguiu crescer explorando o descontentamento da classe média brasileira com o que considera como “avanço do comunismo” (que nada mais é do que certa dose de redistribuição de renda, muito insuficiente por sinal) e com os ativismos de grupos de direitos humanos. Isso gerou a falsa impressão de que o político represente os interesses da maioria da população. Na realidade, Jair Bolsonaro é um apologista do domínio dos Estados Unidos sobre o mundo e não esconde esse fato […] demonstra sua admiração pelo Regime Militar brasileiro (1964-1985) […] que obedecia a cartilha de Washington impedindo qualquer movimento anticapitalista e antiliberal de triunfar na política nacional. […] Para o político fluminense, os Estados Unidos e Israel possuem o direito de ditar as regras do tabuleiro geopolítico. Qualquer um que se posicione contra ao domínio do Primeiro Mundo receberá a alcunha de “terrorista” ou “inimigo da liberdade”.
A respeito de Bolsonaro no campo econômico o autor acrescenta que suas posições em relação ao plano econômico mudaram radicalmente a medida em que sua aceitação pela grande mídia aumentaram. Em aparição ao programa do Jô em 2007 na Rede Globo, Bolsonaro defendeu sua afirmação de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deveria ser fuzilado pela sua política de privatização das estatais como a Vale do Rio Doce e as empresas de telecomunicação. Hoje, Bolsonaro está completamente alinhado com o pensamento libertário econômico e defende a diminuição da interferência do estado na economia e até mesmo a privatização da Petrobras. […]

O Brasil ideal de Jair Bolsonaro.
Tratando-se de suas intrigas com ONGs de direitos humanos, Bolsonaro afirma que “cortaria todos os recursos para direitos humanos” caso tivesse a chance de realizar tal alto. Certamente, muitas dessas organizações são representantes dos interesses americanos e europeus travestidos de “defensores das minorias” e são financiadas por esses mesmos países. Ativistas dessas organizações se infiltraram em muitos partidos considerados de esquerda e são bastante influentes. Aqui notamos uma certa contradição muito forte em qualquer político liberal conservador brasileiro: seu desejo por fazer com que o Brasil “atrasado” se adeque ao primeiro mundo desenvolvido, enquanto rejeita a própria normalidade cultural desses países que tanto admira. Apesar de seus elogios à democracia americana e aos costumes culturais europeus, Jair Bolsonaro seria motivo de chacota nesses países marcados pelo domínio do secularismo e dos interesses privados sobre as tradições dos povos. Se você realmente acredita que as ONGs são um problema para o Brasil, não é se aproximando dos Estados Unidos e outras potências imperialistas que o problema será resolvido.
Não vivemos mais a guerra fria
O Socialismo como potência ideológica e geopolítica capaz de interferir nas decisões de outros países não existe mais. A União Soviética caiu e o que existem hoje são alguns países (tais como Cuba e Coréia do Norte) interessados em manter sua soberania e ser deixados em paz. Muitos dos ditos “socialistas” de hoje vistos no Ocidente nada mais são do que liberais de esquerda, inspirados nos movimentos da contracultura nos Estados Unidos e na França durante os anos 1960. Apesar disso, o comunismo continua sendo usado como bicho-papão para fomentar a histeria conservadora anticomunista e pró-americana. Se você acredita que existe algo chamado “Marxismo Cultural” e que vem sendo ensinado nas escolas desde os anos 1960, olhe para o Brasil a sua volta: quantas pessoas que você parar na rua podem te dar uma definição do que significa marxismo? A resposta é: quase nenhuma. Não existe doutrinação comunista nas escolas. O que existe é a propagação do consumismo cosmopolita e da confusão de termos políticos gerados pelo próprio Liberalismo (interessado na ignorância do povo frente às alternativas).
Conclusão
Jair Bolsonaro nada mais é do que uma falsa promessa. Ele não irá desafiar as elites dominantes e os monopólios midiáticos, apenas reforçar ainda mais suas influências na opinião pública brasileira. Seu maior sonho é implementar o controle americano total sobre a política brasileira massacrando qualquer dissidência ou ameaça a esse controle. ¹
A morte do Brasil na viagem de Bolsonaro aos EUA
Se havia alguma dúvida sobre o grau de vassalagem cega do governo Bolsonaro em relação a Trump, a inacreditável viagem aos EUA se encarregou de aniquilá-la em grande estilo. Foi um espetáculo grotesco de submissão política e ideológica. Uma total falta de vergonha. Algo que já entrou para a história como o capítulo mais constrangedor da nossa diplomacia. […]

Trump é um oceano de boas intenções, às quais o Brasil tem de se curvar ideologicamente. Por isso, no incrível convescote bilateral da ultradireita, que reuniu expoentes do calibre intelectual de Steve Bannon e Olavo de Carvalho, nosso capitão fez anacrônico discurso contra o comunismo, no qual afirmou que o “antigo comunismo não pode mais imperar neste nosso ambiente que nós vivenciamos”. Desconhecíamos que o capitão residisse em Pyongyang. Pensávamos que tivesse fixado residência em Brasília. […]
Esse amor incondicional já redundou em atos de concessão unilateral inéditos em nossa história.
Em primeiro lugar, concedemos a isenção de vistos para norte-americanos, canadenses, australianos e japoneses, sem exigir nada em troca. De agora em diante, esses cidadãos poderão aqui entrar sem nenhuma exigência.
Já, nós, brasileiros, continuaremos a nos submeter à tradicional via crucis para obter vistos.
Afinal, como afirma o próprio presidente do Brasil, frequentemente não temos boas intenções e provocamos vergonha lá fora, além de, segundo o nosso ministro da Educação, roubarmos e pilharmos tudo durante nossas viagens ao exterior.
Concessões amorosas
Outro ato que demonstra amor incondicional foi o relativo à concessão de uma cota de 750 mil toneladas/ano para que os EUA exportem para nós seu trigo com isenção tarifária.
De novo, não exigimos nada em troca, mesmo tendo Trump nos imposto sobretarifas em aço e alumínio e barreiras não-tarifárias contra nossa carne e vários outros bens agrícolas. Fizemos por amor.
O problema é que essa decisão amorosa e desinteressada pode prejudicar a Argentina, nosso principal parceiro do Mercosul, e do qual importamos a maior parte do trigo que consumimos. Em 2017, importamos apenas 333 mil toneladas de trigo dos EUA. Assim, essa quota tenderá a mais que duplicar as nossas importações dos EUA.
Também a concessão da Base de Alcântara para ser usada por empresas norte-americanas é outra demonstração de afeto incondicional. Na realidade, o acordo antigo, rejeitado pelo Congresso não tão amoroso, impunha ao Brasil, na prática, a extinção de seu programa de desenvolvimento de foguetes como contrapartida para que os EUA “deixassem” suas empresas usar nossa base.
[…]
Outra concessão amorosa nossa foi a promessa da extensão da jurisdição da OTAN ao Atlântico Sul, que os EUA vêm tentando estabelecer, coincidentemente, desde a descoberta do pré-sal, que Lula e seu ministro da Defesa, Nélson Jobim, negaram.
Agora, a generosidade abre a possibilidade de submeter a Amazônia Azul aos desígnios […] no mesmo diapasão afetivo, Guedes, prometeu vender o pré-sal em 3 meses. O pré-sal e tudo mais. O corpo esquartejado do Brasil está à venda.

Brasil, novo estado norte-americano?
Também não conseguimos êxito algum na reversão ou revisão de medidas protecionistas que os EUA aplicam a nossos produtos. Afinal, lá, como no Brasil, vigora o America First. ²
Nota: ¹ Trechos do texto publicado por Eduardo Consolo dos Santos no blog Resistencia Terceiro Mundista em 7 de março de 2016. ² Trechos do texto publicado por Marcelo Zero em Vi o Mundo em 19 de março de 2019. Autor: Lucas Novaes¹ | Marcelo Zero² Fonte: Blog Resistencia Terceiro Mundista | ² Viomundo.com.br Quer compartilhar com um amigo? Copie e cole link da página no whattsapp |



















Excelente artigo que pode perfeitamente sem complementado com este do link abaixo.
https://jornalggn.com.br/opiniao/se-for-bom-e-capitalista-se-for-ruim-e-socialista-sera/
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A forma como o articulista colocou a questão de Alcântara diante do acordo assinado somente pode ser interpretado como desonestidade intelectual.
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