Por que a Rússia não deveria acreditar no plano de Trump de abandonar as bombas nucleares.


A Rússia está pronta para aceitar a proposta dos EUA de renunciar às armas nucleares. Mas os Estados Unidos estão prontos para isso?

O encontro entre Kim Jong Un e Vladimir Putin em Vladivostok deixou Washington bastante nervoso. Afinal, recentemente, Donald Trump tomou a iniciativa na questão coreana e negociou com Kim tête-à-tête, contornando a Rússia e a China. E aqui uma coisa estranha acontece – Moscou intervém no assunto e está tentando devolver o formato de seis partes para a Coréia, que entrou em colapso com os esforços da Casa Branca.

“Ótima idéia! Mas …”

E assim, para voltar aos holofotes novamente, Donald Trump faz uma declaração alta. Ele chama não apenas a RPDC, mas todos os países a abandonar as armas nucleares, incluindo a Rússia, a China e os próprios Estados Unidos.

Boa ideia! É isso que o secretário de imprensa do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou sobre a iniciativa de Trump. No entanto, ele deixou claro que ainda não está claro para ninguém como a Casa Branca vai implementar o plano.

Mais tarde, no Kremlin, eles acrescentaram que Moscou está pronta para acordos sobre desarmamento nuclear.

    Também estamos prontos para novos [acordos, mas para isso precisamos de sérias negociações, que ninguém ainda começou, infelizmente – disse assessor presidencial para assuntos internacionais Yury Ushakov.

As palavras diferem das ações

A julgar pelas ações reais, apenas um louco pode acreditar. Em primeiro lugar, os EUA, com US$ 649 bilhões, lideram os 5 principais países em gastos com defesa, conforme evidenciado pelo relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI).

Em segundo lugar, os Estados Unidos estão realizando uma modernização em larga escala de suas forças nucleares. O programa envolve a alocação de 1 trilhão de dólares – isso é quase todo o PIB da Rússia.

Terceiro, o Pentágono recentemente se recusou a prometer não lançar um ataque nuclear preventivo.

De acordo com o subsecretário de Defesa para Assuntos Políticos dos EUA, David Trachtenberg, a política de “ambigüidade calculada” permite que eles detenham potenciais adversários. Trump também se recusa a assinar um documento com o Kremlin sobre a prevenção da guerra nuclear.

Quarto, o presidente dos Estados Unidos cria tropas espaciais para realizar ataques nucleares do espaço. Falando na Conferência de Segurança de Moscou, vice-chefe da Diretoria de Operações Principais do Estado Maior da Federação Russa, o tenente-general Viktor Poznikhir observou que a estratégia de defesa antimísseis dos EUA envolve a formação de sistemas de defesa aérea de ataque em órbita. Poznikhir observou que Washington está revivendo a estratégia das “guerras das estrelas”. A Rússia está preocupada com a prontidão dos EUA para acertar mísseis balísticos nos estágios iniciais do vôo, ou no momento em que as granadas estão nas minas.

Quinto, Washington se retirou dos mais importantes tratados de desarmamento – ABM e ADRM – e não quer estender o START-3.

Política de padrão duplo

Os Estados Unidos não estão apenas se armando, mas estão bombeando aliados em armas. Por exemplo, Trump ainda não bloqueou a venda de armas à Arábia Saudita no valor de US $ 100 bilhões, embora a CIA, o Congresso e países europeus – membros da OTAN culpassem o assassinato de Jamal Khashoggi em Riad. Além disso, o presidente americano, de acordo com alguns rumores, vai transferir para Riad, que ficou em segundo lugar no relatório SIPRI, a tecnologia nuclear. Por outro lado, a Casa Branca ainda está fechando os olhos para a presença de 80 ogivas nucleares de Israel, mas exige que as armas nucleares destruam a RPDC.

Então, quando os Estados Unidos estão envolvidos em uma corrida armamentista, e Trump pede à China e à Rússia que destruam uma bomba nuclear, essa idéia não pode causar nada além de ironia. Mas por que o presidente americano oferece algo que ele não está pronto para fazer?

Promessa impossível

Provavelmente por dois motivos. Primeiro, porque é Donald Trump. E ele gosta de cobrar alguns tweets poderosos na noite de sexta-feira. Em segundo lugar, os EUA estão assustados com os novos sistemas de armas russos, como Avangard, Dagger, Peresvet, Poseidon e assim por diante. O Pentágono teme que os Estados Unidos estejam atrasados ​​em relação à Rússia. E então Trump expressou uma proposta anteriormente impossível, a fim de acusar Moscou e Pequim de não cumprir o acordo. Uma desculpa é necessária para uma modernização negligenciada do potencial nuclear americano. A lógica é a mesma que na história do INF. Afinal, os Estados Unidos começaram a violar o tratado muito antes do anúncio da retirada do tratado.

Portanto, a grande idéia de abandonar uma bomba nuclear não deve ser levada a sério. Os Estados Unidos nunca vão desistir de armas que os transformem em uma superpotência. Tanto a China quanto a Rússia, e todos aqueles que já possuem essas armas de destruição em massa, não a abandonarão. Os países são movidos por dois medos. O primeiro é ser enganado, como no “dilema dos prisioneiros”. É melhor quebrar o acordo e ficar com a bomba do que esperar pela honestidade e perder a bomba nuclear. A segunda é o medo de repetir o destino de Kaddafi, que, ao contrário de Kim Jong-un, não teve a oportunidade de revidar em Washington e pagou caro.


Autor: Gasanov Kamran

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Katehon.com

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