O Retrato do Brizola.


No empenho de se manter politicamente, Rodrigo Maia, filho de Cesar Maia, segunda geração de filiados aos Democratas (DEM), partido de direita e neoliberal, faz divulgar, no portal Disparada, sua foto com o retrato de Brizola na parede. Provocação? Arrego? Mistificação?
A atual política brasileira, com todas as restrições que temos aos pensamentos globalizantes, não é jabuticaba. O que vem degradando a vida da política, assim com o cotidiano das pessoas, é a invasão doutrinária do neoliberalismo, desde o início da década de 1980, pelo mundo inteiro.

O neoliberalismo permite o mimetismo de se juntar às questões ecológicas, aos identitarismos, que sendo específicos de grupos são discriminadores e sectários, levando a confrontos, e, o que nos é mais caro e importante, à destruição dos Estados Nacionais.

Ora colocar um líder nacionalista, para quem a questão nacional sempre foi prioritária, como se fosse a sua inspiração, Maia, agente atuante e defensor do Estado Mínimo, ou faz galhofa ou debocha da população politicamente analfabeta, que é o ideal perseguido e mantido pelos governantes, desde o Império – que Brizola e seu mentor Getúlio Vargas são as pouquíssimas exceções.

Mas Brizola foi também a liderança mais incômoda que tiveram os entreguistas, os neoliberais, os obscurantistas, e todos que nunca desejaram que o Brasil se construísse com Estado Nacional, soberano, cidadão, garantidor dos direitos trabalhistas e sociais.

Como ocorrera com Getúlio, obrigado ao suicídio, o assassinato de Brizola começou nos acordos para “redemocratização”, costurado pelo “bruxo” Golbery, apadrinhando o Partido Dos Trabalhadores (PT) e impedindo um Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) varguista. O “fake” não nasceu no século XXI.

Assim, com um trabalhismo paulista, cujas elites nunca perdoaram Getúlio, temos, atualmente, o fake do fake no Partido Democrático Trabalhista (PDT). Brizola está, com toda certeza, se revirando no túmulo com a adesão do PDT ao neoliberalismo, ideologia do Estado Mínimo. Nada mais distante do nacionalismo trabalhista desenvolvimentista.

Mas, após meio século de concentração de renda, o neoliberalismo está provocando descontentamentos e revoltas. Elas ganham as condições locais, com as expressões das culturas e modos regionalizados. Na França, as greves e movimentações dos coletes amarelos há seis meses, na Inglaterra com o Brexit, nos Estados Unidos da América (EUA) com eleição e possível reeleição de Donald Trump, na Alemanha com a queda da popularidade da Chanceler Merkel, da ascensão e queda da ultra direita italiana etc, etc, etc.

Mas há em tudo isso um custo e uma fraude.
Comecemos pela fraude, onde se situa a propaganda enganosa do Maia do retrato.

Não há condição de defender a hipócrita meritocracia dos ricos, daqueles que acumularam o que Pierre Bourdieu, sociólogo francês, denominou “capital cultural”. A miséria também ensina, é uma lição dos letramentos contemporâneos e, quando passa à consciência, pode levar à revolta.

Rodrigo Maia pretende tirar, da economia e do entreguismo, sua razão para manter o poder, transferindo para a política “democrática”, um acordo dos centros, da direita e da esquerda, a manutenção da democracia. É claro que os pressupostos da democracia, que são a soberania nacional e a efetiva cidadania da população, não são tratados.

Pretende, deste modo, isolar os pretensos (ou desejados?) radicalismos, à direita dos Bolsonaristas, e à esquerda dos Lulistas. Precisaria primeiro explicar aos Lulistas que eles são de esquerda e o que significaria agir coerentemente com tal rotulação.

Assim construída a disputa eleitoral não poderá haver surpresa e, no pior resultado, o terceiro, ficaria com a chantagem do desempate. Só ganho. Mas não pensemos que ele está sozinho. Muito ao contrário, todos os demais jogadores neste campo pensam da mesma forma e vestem os respectivos uniformes, bonitinhos e cheirosinhos.

O pavor é surgir um novo Brizola, um novo Vargas, quem mostre a nudez destes reis. Haver não três neoliberais fantasiados, mas uma candidatura realmente nacionalista, para quem o importante seja a questão nacional. E apresente projetos para soberania, para a construção do Estado Nacional Brasileiro, e para formação da cidadania.
O custo é a permanente humilhação que sofre a colônia. Quem vai pagar os desmandos europeus, os custos do Brexit, as dívidas estadunidenses senão os Estados Colônias, muito diferentes dos Estados Nacionais.

Para isso que se instalam guerras, golpes armados e eleitorais por toda América Latina e África. É preciso mais do que a verba de “proteção” que os impérios nacionais e ideológicos sempre cobraram. Precisa um extra para o insucesso neoliberal no Atlântico Norte.
E, principalmente, quando a Rússia e a China, combatidas por estarem fora do universo neoliberal, apresentam sucesso, crescimento, enfrentam exitosamente os bloqueios e as sanções que lhes são impostos.

Imaginem os CEO’s das “gestoras de ativos”, os Macron, os Clinton, os homens da City londrina e da Wall Street, de Nova Iorque, tendo que explicar para o jornal da CIA estadunidense, The Washington Post, ou do US deep state, The New York Times, ou The Guardian, ou The Economist, ou de seus congêneres sabujos brasileiros, chilenos, argentinos que, se não fosse o capital das drogas, da prostituição internacional, dos ilícitos em redor do mundo, eles já teriam afundado.

Que a “crise” de 2008/2010 significou que esta política neoliberal jogou a toalha para todo capital ilícito, dos contrabandos e drogas, e que agora dão as cartas e fixam as regras do jogo.

Engenheiro Leonel de Moura Brizola, que faria 98 anos neste último 22 de janeiro, ao ver seu retrato nós, patriotas, nacionalistas, que não nos deixamos levar por ideologias e potências estrangeiras, sentimos saudade e pensamos na falta que um Getúlio Vargas, um Brizola, um Ernesto Geisel nos fazem.


Autor: Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Publicado em dinamicaglobal.wordpress.com

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