:: A retirada das tropas soviéticas do Afeganistão em 1988.


Há um quarto de século atrás terminou a permanência de quase dez anos do contingente limitado de tropas soviéticas no Afeganistão. A campanha afegã foi talvez a maior e a mais problemática ação na política externa da União Soviética depois da Segunda Guerra Mundial.

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O último soldado soviético abandonou o Afeganistão a 15 de fevereiro de 1989. A retirada das tropas foi dirigida por Boris Gromov, lendário general-tenente. Os norte-americanos, cuja tarefa consiste em pôr fim à longa ocupação do Afeganistão, tentam precisamente utilizar a sua experiência. O politólogo Nikita Mendkovich afirma:

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“A segurança é o problema fundamental de qualquer operação semelhante. Um grande número de tropas e armamentos movimentam-se pelos caminhos. É preciso protegê-los de possíveis ataques e bombardeios. Isso pode ser resolvido de diferentes formas, nomeadamente reforçando os contingentes locais que ficam após a retirada das tropas. Eles poderão proteger a retirada das forças principais.”

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Perante as tropas soviéticas no Afeganistão colocavam-se duas tarefas principais. Em primeiro lugar, ajudar o governo do Afeganistão a normalizar a situação política interna. Segundo, impedir a agressão externa. Essas tarefas foram completamente realizadas, considera Igor Korotchenko, redator-chefe da revista “Defesa Nacional”:

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“A campanha afegã foi inevitável do ponto de vista da defesa dos nossos interesses nacionais. Nós não éramos ocupantes, nós construímos um Afegão novo. Abrimos túneis, mantivemos o funcionamento do sistema de abastecimento de água, plantámos árvores, construímos escolas e hospitais, criamos indústria. Foi um grande feito.

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Deixamos a Najibullah um exército afegão forte. Durante um ano ou ano e meio, ele controlou com êxito a situação no interior do país. Só a suspensão da ajuda material e técnica da União Soviética levou à queda do regime de Najibullah. Hoje, o regime de Karzai não deverá durar muito. E dificilmente os EUA sairão com a mesma cabeça levantada com que saíram as nossas tropas.”

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A propósito, há diferentes opiniões quanto ao facto de todos os afegãos terem ficado contentes com os soldados soviéticos. Naim Gol Muhammad, presidente do Centro Afegão Unido em São Petersburgo, afirma:

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“Existem as tradições, a mentalidade e a cultura do povo afegão. As tribunais aguerridas dos pushtuns nunca se sujeitaram a ninguém. As tropas estrangeiras foram sempre mal recebidas. A população local revoltou-se contra as tropas soviéticas”.

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Parte significativa dos peritos está convencida de que a campanha afegã da União Soviética, não obstante toda a sua tragédia e aparente insensatez, exerceu séria influência na formação de uma política externa ótima da nova Rússia. Hoje, para Moscou é claro que o emprego da força na solução dos problemas não tem futuro, que só o compromisso é capaz de pôr fim à crise. Moscou tenta fazer chegar essa compreensão aos outros jogadores principais do atual palco geopolítico.1.

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A guerra soviética no Afeganistão foi uma guerra de nove anos durante a Guerra Fria travada pelo Exército soviético e o governo marxista-leninista da República Democrática do Afeganistão contra a guerrilha Mujahideen afegã e voluntários estrangeiros “árabes afegãos”. O governo afegão lutou com a intervenção da União Soviética como seu principal aliado.

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A faixa diz: “Os amigos mortos estarão conosco para sempre”, “Olá, pátria!”

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A placa diz: “A tarefa da pátria está realizada!”

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A faixa diz: “Mãe, eu estou de volta!”

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Ele escreveu: “Adeus, Afeganistão!”

Fonte: http://englishrussia.com/2012/10/22/soviet-war-in-afghanistan/

A retirada das tropas soviéticas do Afeganistão começou há 25 anos, em 15 de maio de 1988, de acordo com os acordos de Genebra, firmados dois meses antes. A União Soviética se comprometeu a retirar seu contingente em nove meses.

fig.1

As tropas soviéticas abandonam o Afeganistão através da Ponte da Amizade, a único na fronteira com a república soviética de Uzbequistão.

fig.2

Um total de 50.183 militares soviéticos abandonaram o Afeganistão nos primeiros três meses da retirada. Outros 50.100 regressaram à URSS entre 15 de agosto de 1988 e 15 de fevereiro de 1989.

fig.3

A caminho de casa, os militares soviéticos passam pela cidade uzbeque de Termez.

fig.4

Termez se encontra no sul do Uzbequistão, próximo da fronteira afegã.

fig.5

Segundo dados precisados, a Guerra do Afeganistão culminou com 14.427 militares soviéticos mortos e desaparecidos, 576 mortos entre os agentes da KGB e 28 mortos entre os efetivos do Ministério do Interior. O número de feridos e mutilados passou de 53 mil.

fig.6

Cerimonia de boas-vindas aos militares soviéticos nos arredores da cidade de Termez, na república soviética do Uzbequistão.

fig.7

Desfile de militares soviéticos antes de abandonar o Afeganistão.

fig.8

fig.9

Atualmente, muitos afegãos afirmam que a operação militar soviética no Afeganistão causou centenas de milhares de mortos e desaparecidos entre civis. Muito menos se fala das vidas ceifadas na Guerra Civil dos anos 1990 que eclodiu em seguida à retirada das tropas soviéticas.

fig.10

O Ministério de Assuntos Sociais do Afeganistão situa atualmente em mais de 800.000 o número de incapacitados no país, a maioria deles, mutilados naquela guerra.

fig.11

Oficialmente a guerra do Afeganistão começou em 25 de dezembro de 1979 e terminou em 15 de fevereiro de 1989, ou seja, se prolongou por 2.238 dias. Na foto: a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão.

fig.12

Cerimonia de boas-vindas a militares soviéticos retirados do Afeganistão.

fig.13

Um regimento blindado se prepara para abandonar o Afeganistão.

fig.14

As tropas soviéticas abandonam Kandahar, em 10-11 de agosto de 1988.

fig.15

Desde 2012, a 15 de fevereiro, dia em que terminou a retirada das tropas soviéticas em 1989, é um dia festivo no Afeganistão para celebrar a derrota da URSS.2

[1]Autor: Serguei Duz – fonte: http://portuguese.ruvr.ru/2014_02_14/principal-licao-da-campanha-afega-da-urss-8939/
[2]Fonte: http://sp.rian.ru/photolents/20130515/157076333_15.html