:: Sergei Korolev, o visionário das estrelas.


Comemoram-se em 4 de Outubro passado os cinquenta anos sobre o lançamento do Sputnik, o engenho que marcou a primeira aventura do homem no espaço. Após o lançamento deste primeiro satélite artificial da Terra o mundo percebeu que o caminho das estrelas estava finalmente aberto e à espera de ser explorado. Mas foi o sonho de um engenheiro aeroespacial, Sergei Pavlovich Korolev, e não o da Nomenklaturado Kremlin, que lançou a União Soviética em órbita e a alcandorou, na época, ao topo da corrida pelo espaço, arrastando consigo uns EUA atónitos e genuinamente preocupados com a supremacia espacial da URSS.

Em 1911 Konstantin Tsiolkovsky, um dos visionários cientistas que começaram a dar corpo ao sonho da humanidade em se libertar das amarras do planeta, proferiu a profética frase: “A Terra é o berço da Humanidade, mas a raça humana não pode ficar no berço para sempre“. Foi esta ideia de libertação que inspirou Sergei Pavlovich Korolev, hoje justamente considerado como o motor por detrás do programa espacial soviético e um dos grandes pioneiros da conquista do espaço, para realizar o que viria a constituir um dos “passos de gigante” da Humanidade.

Vítima, em 1938, das purgas estalinistas, Korolev foi deportado para um gulag na Sibéria, de onde foi libertado três anos mais tarde pois o regime necessitava desesperadamente de engenheiros que contribuíssem para o esforço de guerra contra o III Reich. Em plena Alemanha, para onde foi enviado por Stalin em 1945 no final da II Guerra Mundial, Korolev embrenhou-se na recuperação e no estudo da tecnologia por detrás das bombas-foguete V-2 alemãs, que lhe serviriam de fonte de inspiração para o trabalho que viria a desenvolver já em 1957 no Special Design Bureau: o R-7 Semyorka, primeiro míssil balístico intercontinental, criado em plena Guerra Fria para lançar bombas nucleares sobre os EUA.

Mas o sonho das estrelas de Korolev continuava intacto e, a 4 de Outubro do mesmo ano, propulsionado por uma versão modificada do R-7, o Sputnik 1 entrou em órbita, seguido um mês depois pelo Sputnik 2 que transportou para o espaço a cadela Laika, o primeiro ser vivo a entrar em órbita terrestre, e por três outras unidades do Sputnik.

Entusiasmado e claramente dominador na luta de titãs que caracterizava o programa espacial soviético, Korolev finalizou, com o beneplácito do Politburo e dos generais do Exército Vermelho, o desenho do primeiro veículo de lançamento russo: o foguetão Soyuz e a nave espacial Soyuz, como parte do Programa Soyuz e iniciou os planos para a construção do gigante dos foguetões com que esperava ganhar a corrida da Lua: o falhado N1.

Sergei Korolev viria a falecer com 59 anos, em 1966, no apogeu da sua genialidade, mas os engenhos Soyuz, marcos decisivos da era espacial que perduram do plano espacial soviético continuam ainda hoje ao serviço do plano espacial russo e os satélites Sputnik, permanecerão para sempre como a marca indelével do genio de um homem que ousou sonhar com as estrelas e tornar realidade os seus delírios oníricos.

Fonte: Obviusmag.org <Créditos e agradecimentos a Benjamin Junior.>