:: Sputnik: foi há 50 anos o primeiro satélite artificial.


Em 4 de Outubro de 1957 uma esfera de metal com cerca de 60 cm foi lançada para o espaço a partir da ex-União Soviética. Denominado Sputnik 1 – literalmente Satélite, em russo – marcou profeticamente o início de uma nova era: a da corrida espacial. Quem assiste hoje paulatinamente ao lançamento de mais um satélite de telecomunicações, tornado trivial, esqueceu ou não viveu a emoção dos vários momentos desta corrida alucinante que opôs as duas nações mais poderosas da Terra que, já não lhes bastando, as levou a virarem-se para o Espaço.

A história do primeiro satélite artificial é feita de um misto de sorte, oportunidade e inconsciência. Inicialmente empenhado no projecto de um aparelho sofisticado com meia tonelada, o programa espacial soviético decidiu arrepiar caminho e construir rapidamente um equipamento simples que batesse em velocidade os hesitantes projectos americanos. Assim foi: o Sputnik 1 foi concebido, construído e colocado em órbita em menos de um mês! Os EUA ficaram estarrecidos e mergulharam naquilo que ficou conhecido como “Crise Sputnik” e que levou, em última instância, a uma aposta definitiva no seu programa espacial e à criação da NASA.

É um fato que o satélite soviético abalou o mundo. As pessoas olhavam para o céu na esperança de o ver, apesar do seu reduzido tamanho e de orbitar a 250 Km de altitude. O único processo de acompanhar o seu percurso era utilizando telescópios ou ouvindo o sinal contínuo produzido pelo seu emissor de rádio, o característico bip. Radio-amadores procuravam sintonizar nos aparelhos o vestígio sonoro do seu rasto. Se, porém, o sinal se calava durante algum tempo, como aconteceu em 9 de Outubro de 1957, o mundo ficava suspenso e só serenava quando voltava a ouvir o seu bip tranquilizador.

O Sputnik 1 calou-se definitivamente no dia 29 desse mesmo mês, baterias esgotadas. Uns meses mais tarde, a 4 de Janeiro do ano seguinte, consumia-se em chamas ao entrar na atmosfera terrestre. Era o fim derradeiro. Guardamos o seu bip.

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Fonte: Obviusmag.org <Créditos e agradecimentos a seven.>