As exportações de armas israelenses para o Brasil.


Israel-Brasil

Armas israelenses utilizadas na repressão da juventude negra pobre do Brasil.

“Passaporte!” Exigiu a guarda de segurança israelense em Inglês quando aproximaram-se os manifestantes na feira Aeroespacial da América Latina e Defesa (LAAD), que ocorreu entre 09-12 de abril no Centro de Convenções Riocentro, no Rio de Janeiro, Brasil.

Esta cena surreal desdobrou-se quando um pequeno grupo de ativistas entrou no espaço de exposição da feira, que continha um número de exportadores de armas israelenses indústria. Armado com nada mais do que “boicote apartheid israelense” t-shirt e keffiyas, que primeiro realizou um piquete em frente à entrada, durante a qual uma grande bandeira palestina foi detida, juntamente com cartazes que diziam: “embargo às armas israelenses agora!” E a “Presidente Dilma , pare de comprar armas israelenses! “Dilma Vana Rousseff, a primeira mulher presidente do Brasil e membra do Partido dos Trabalhadores, é a sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Imagem: Soldado brasileiro em 2009 na feira Latin American Aerospace and Defense (LAAD).

Esta primeira demanda para o embargo às armas israelenses é o objetivo central do boicote brasileiro, desinvestimento e sanções (BDS) da campanha liderada pela Frente em Defesa do Povo Palestino-São Paulo, que é composto por dezenas de organizações da sociedade civil do Brasil.

A segunda-chamada apela à presidente Dilma que suspenda a compra do armamento israelense, é uma condenação do rápido aumento dos contratos militares entre Israel e Brasil, que solidificou vergonhosa posição do Brasil como um dos cinco maiores importadores de armas do regime do apartheid. Tanto Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e da federação trabalhista brasileira, CSP-Conlutas, são os endossantes desta demanda.

Estas duas organizações se juntaram à manifestação na frente do Riocentro, que também incluiu representantes da Anel (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre), MOPAT (Movimento Palestina para Todos), Ciranda Internacional da Communicação Independente (Ciranda Internacional Independente / Informação Compartilhada) e PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado).

Este ano, a feira LAAD demonstrou a necessidade urgente de acabar com os acordos militares entre o Brasil e Israel. Foram concedidos privilégios especiais às mais de 30 empresas israelenses presentes no Riocentro ao diálogo na cerimônia de abertura do evento com o vice-presidente do Brasil, Michel Temer e o Secretário de Defesa Celso Amorim como representantes oficiais da presidente Dilma Rousseff. A intenção dos expositores foi criada na aquisição de contratos de segurança para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, ambas as quais estão definidas para ocorrer no Brasil.

Seguindo a demanda inicial de passaportes, os guardas de segurança israelenses cercaram os ativistas, servindo como um exemplo alarmante da capacidade de Israel para colocar-se acima da lei internacional. O exercício de tal impunidade também oferece um pequeno vislumbre de como a vida deve ser para os palestinos que vivem sob ocupação e apartheid.

Além dos passaportes dos cidadãos brasileiros que exercem os seus direitos em seu próprio solo exigente, os agentes de segurança, em seguida, começaram a seguir os ativistas enquanto se moviam ao longo da feira. Havia dezenas de funcionários israelenses. Os ativistas protestaram verbalmente ante este ato discriminatório, ao mesmo tempo que denunciaram a ocupação de terras palestinas.

Para aqueles que foram para a Palestina, era como se os guardas israelenses tivessem reproduzido, dentro do Brasil, o sistema de segregação e expulsado os “indesejáveis.” A demanda por passaportes parecia uma tentativa de recriar um posto de controle na Cisjordânia com o qual o pessoal israelense de segurança estiveram, sem dúvida familiarizados. Era como se, com a bênção dos governos estaduais e federais brasileiros, que tinham encenado uma ocupação da área de eventos na LAAD e estavam ignorando completamente o direito democrático dos cidadãos brasileiros à liberdade de expressão e de reunião.

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Apesar das tentativas de constranger e intimidar os visitantes “indesejados” na feira, os ativistas ainda eram capazes de ter uma noção da mercadoria em exposição, tais como os drones de fabricação israelense recentemente utilizados durante a Operação Coluna de Nuvem nos ataques a Gaza no ano passado. O Secretário de Defesa de Israel ainda tinha o seu próprio estande. Por alguma razão, os ativistas não foram autorizados a entrar.

Uma exposição particularmente impressionante de Israel Aerospace Industries (IAI) contou com uma apresentação futurista de suas tecnologias em uma tela gigante. A empresa IAI, de acordo com relatórios de organizações palestinas, produz equipamentos utilizados pelas forças de ocupação israelenses em seu policiamento do muro do apartheid eassentamentos ilegais dos somente-judeus.

A subsidiária brasileira da IAI, Bedek, juntamente com o conglomerado brasileiro, o Grupo Synergy, formaram uma joint venture denominada EAE Soluções Aeroespacias. Este conglomerado produz material para as Forças Armadas brasileiras, que utiliza o centros de produção e manutenção TAP M&E do Brasil no Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Outro expositor foi Rafael Defense, que menciona em seu site possuir uma relação “especial” com a Força de Defesa de Israel (IDF). Esta empresa, em colaboração com a Netcom Malam Equipe Internacional, foi o maior grupo da tecnologia de informação de Israel a desenvolver os produtos especialmente concebidos para as forças de ocupação de Israel.

Israel Military Industries (IMI), que conta com o exército do Brasil entre seus clientes e goza de uma parceria comercial com a Taurus, que tem sede em Porto Alegre, também foi um expositor. A IMI fabrica o rifle israelense Tavor.

A Feira LAAD foi patrocinada pela fabricante aeronáutica brasileira Embraer, uma empresa intimamente ligada à indústria armamentista israelense. Esta mantém contratos com a empresa israelense Elbit Systems, que também foi um expositor. Elbit, uma empresa de alta tecnologia militar, fabrica os drones israelenses mencionados recentemente que foram implantados em Gaza. Elbit também é uma das 12 empresas envolvidas na construção do muro do apartheid de Israel.

Em outubro de 2012, o palestino Richard Falk e relator especial da ONU sobre Direitos Humanos, pediu o boicote da Elbit Systems durante a Assembléia Geral da ONU. Ao longo dos últimos 15 anos, a Elbit tem mantido uma presença no Brasil onde opera através de suas subsidiárias AEL, Optronic Periscópio Equipamentos S/A e Ares Aeroespacial. Através da Ares Aeroespacial, Elbit adquiriu recentemente dois contratos de milhões de dólares com o exército brasileiro.

Além disso, o governo do estado do Rio Grande do Sul, que é o lar dos planos de Porto Alegre para expandir a presença da Elbit no Brasil por meio de privatização. Se partidários do neoliberalismo no Brasil têm a sua maneira, do Brasil Porto Alegre pode se tornar mais importante posto avançado de pesquisa militar externa de Israel, porque é a casa da AEL, que é uma subsidiária da Elbit. Este projeto, financiado com dinheiro público, também oferece benefícios na forma de transações comerciais intrinsecamente ligadas a crimes e violações dos direitos humanos de Israel.

A campanha BDS Brasil enviou uma carta aos governos federal e estadual no Brasil expressando sua preocupação com a presença de Israel na Feira LAAD. Assinado por mais de 30 organizações da sociedade civil, o documento destaca a importação destas tecnologias militares pelos governos locais a ser usada na repressão da pobre juventude negra do Brasil.

O caso do Rio de Janeiro é exemplar. A empresa israelense, Shield global, ganhou um contrato de milhões de dólares para fornecer à polícia militar oito novos veículos blindados (conhecidos como caveirões em Português) usados em ocupações policiais das favelas (slums).

Fonte: http://www.globalresearch.ca/israeli-weapons-exports-to-brazil/5332708