Governo e mídia: Expressão maior da hipocrisia que hoje prejudica o Brasil.


Ao iniciar este artigo sobre a farsa que domina nossa sociedade, pensava em desenvolver a relação da imprensa com o Poder. Afinal, o mais antigo exemplo que se tem notícia vem do imperador Julio Cesar ao divulgar as “Acta Diurna”, com as informações e as ordens que lhe interessavam dar conhecimento ao povo de Roma. Mais tarde, nos primórdios da era cristã, foram os chineses quem divulgaram os fatos dos poderosos nas “Notícias Diversas”, que eles celebraram, nos anos 1900, o primeiro milênio das suas impressões.

Parece óbvio que o Poder sempre se dispôs e investiu em dar informações que protegessem e defendessem seus próprios interesses. E esta situação perdurou mesmo quando a tecnologia e a diversidade de objetivos permitiram chegar ao conhecimento das pessoas, a minoria letrada, informações e interpretações diferentes sobre os mesmos acontecimentos.

Mas a situação que vivenciamos, desde a segunda metade do século XX e com crescente e total domínio, é da desinformação como instrumento do Poder. Não me recordo, nem nas narrativas da imprensa em regimes totalitários, de situação semelhante. Um fenômeno facilmente constatável pelos que pesquisarem está na quantidade de jornais existentes no Brasil nos anos 1950 e sua relação com a população alfabetizada e a realidade desta segunda década do século XXI. A concentração, de recursos, de ganhos e da informação, é um objetivo do Poder que desde então se implantou.

Mas que Poder é este que domina toda divulgação da informação, não só a jornalística mas a produzida nas academias? É o Poder que foi corrompendo os governos, foi se infiltrando nos negócios, foi controlando as ações, de início econômicas, mas rapidamente as políticas, sociais e culturais, tornando-se, a partir de 1990, a ditadura planetária: o sistema financeiro internacional, a banca.

O que acompanha esta ditadura é a desmoralização, a desconstrução de todas as críticas e ideias que lhe sejam opostas. Ainda recentemente assisti um vídeo de 1995, onde o doutor Enéas Carneiro nominalmente denunciava o “sistema financeiro internacional” como responsável pela alienação do patrimônio brasileiro e antevia o esgarçamento social que seu empoderamento traria para o Brasil. Ora o médico Enéas Carneiro era dado como extravagante, populista ou como um nazifascista, para que suas denúncias, em momento algum, fossem levadas a sério. E digo com a tranquilidade de quem não se filiava entre seus seguidores.

A banca se assenhoriou da mídia, mas, e principalmente, do controle das informações. Ela é, utilizando os recursos dos países onde domina os governos, a mais poderosa fonte de espionagem, de informação e contrainformação do mundo contemporâneo. E, como aponta com precisão Viviane Forrester (Uma Estranha Ditadura, UNESP, 2001) é uma forma de totalitarismo, envolta numa moldura democrática, onde a produção é substituída pela especulação e, sobre a farsa de fatalidades econômicas, as crises vão açambarcando os ganhos de todos os agentes econômicos e os concentrando no sistema financeiro.

Ora, meu caro leitor, quem em sã consciência apoiaria um modelo que elimina o trabalho, prioriza o lucro, independentemente de sua legalidade ou legitimidade, adota salários ínfimos e ao fim provoca guerras controladas e mortes? E sob a fantasia liberal e democrática?

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Vê-se pois que é indispensável o controle social da comunicação de massa. A mídia concentrada em poucas mãos, para sua maior efetividade, para a otimização de custos e garantia de ganhos, e, como óbvio, para a manutenção pela mentira, pelo embuste, pela hipocrisia daqueles governantes que lhe são favoráveis e seus colaboradores, é inaceitável na democracia.

O jornalista Armando Rodrigues Coelho Neto aponta que “o pensamento único da sociedade brasileira parece imposto de forma coronelesca pelas famílias Abravanel (SBT), Barbalho (RBA), Dallevo e Carvalho (Rede TV), Civita (Abril), Frias (Folha), Levy (Gazeta), Macedo (Record), Marinho (Globo), Mesquita (O Estado de S.Paulo), Queiroz (SVM), Saad (Band), Sarney (TV Mirante?) e Sirotsky (RBS)”. E acrescento que estas 14 famílias não distribuem igualmente a propagação dos engodos. A família Marinho deve representar perto de dois terços ou três quartos do alcance das divulgações. A concentração e a banca estão sempre juntas.

Ainda o citado jornalista agrega que “técnica e legalmente, a concessão para a exploração TV é de 15 anos (rádios dez) renováveis por igual prazo, desde que cumpram exigências. Entre elas privilegiar educação, cultura nacional e regional, não formar monopólio ou oligopólio de propriedade, contemplando ainda aspectos de cunho moral, financeiro e fiscal.” Parece até uma provocação aos brasileiros de boa fé e capazes de avaliar a atrocidade que se comete contra o País. Continua Coelho Neto: “Renovações de outorgas de concessões de TV e rádios continuam um mistério”, não conhecêssemos o Poder da banca.

Agora, o governo golpista além de derramar milhões de reais do dinheiro público nesta mídia oligárquica, noticia a taxação da comunicação concorrente (Netflix, youtube) e a censura na internet.

Este concubinato da mídia com o governo golpista resulta na ignorância popular sobre o desastre que já ocorre no Brasil e em tempos ainda piores que teremos que enfrentar.

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Autor: Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Publicado em dinamicaglobal.wordpress.com

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