Soberania do Brasil. Requião denuncia encomenda para dar espaço aéreo e Embraer aos EUA. O que falta entregar?


“Neste momento trago uma nova informação que acredito ser tanto ou mais agressiva e problemática para a Soberania Nacional; A venda da EMBRAER para a multinacional estadunidense, BOEING.”

O Conversa Afiada publica o comentário que o Senador Roberto Requião (PMDB-PR) enviou a emissoras de rádio nesta quinta-feira, 8/março:

O Senado da República é um espanto! Ontem, com plenário vazio (tinham 7 ou 6 senadores no Plenário), o então presidente da mesa, João Alberto, Senador pelo Maranhão, inverte a pauta e põe o item 7º em votação. O item 7º era o acordo de liberação do espaço aéreo entre Brasil e Estados Unidos.

Mas já não temos empresa aérea e não teremos jamais empresa alguma, porque as empresas americanas tomaram conta deste espaço. Mas de repente, não mais que de repente, o Senador João Alberto inverte a pauta, sem avisar ninguém. E coloca o item 7º em votação sem presença de senadores em Plenário (não tinham 7 ou 8 senadores no Plenário).

O Senador Lindbergh Farias pede a palavra e diz: “É um assunto muito importante e queremos discutir isso melhor”. Isso já tinha passado na Câmara, já tinham liberado o espaço aéreo brasileiro na Câmara. O Brasil está se transformando, como regra, na casa da mãe Joana. Embora essa proposta inicial tenha sido do Governo da Dilma, o Senador do PT pediu tempo. Disse: “Presidente, não coloque isso em votação, não temos ninguém no Plenário e gostaríamos de discutir isso, diante da situação em que estamos vivendo agora”. O presidente coloca em votação. O Lindbergh vota contra, o Senador Paim vota contra e eu voto contra. O presidente diz: “Aprovados com votos contra de fulano, fulano e abstenção do Senador Requião”. Eu peço a palavra e digo: “Não me abstive! Eu votei contra”! Porque queria que isso fosse jogado para frente, para ter uma discussão melhor e a gente saber o que está votando. O presidente não me deu atenção. Eu, então, pedi verificação e, na verificação, eu fui segundado pelo Senador Lindbergh, pela Senadora Vanessa Grazziotin e pelo Senador Paim. O então presidente do Senado, que presidia a mesa naquele momento, Senador João Alberto, não deu importância, continuou falando, ignorou a minha presença.

O que eu posso imaginar disso? Havia uma encomenda para que aquilo fosse aprovado a toque de caixa, sem nenhuma discussão? Por isso a inversão da pauta, por isso a ausência do Plenário? O que é que está acontecendo com o Senado Federal? Eu ia entrar com um mandado de segurança, mas o STF já decidiu que essas questões são internas do Senado da República. E o Senado da República hoje não me oferece segurança nenhuma para fazer valer o regimento e a opinião dos Senadores. Então eu fico aqui com a impressão de que o Senador João Alberto aviou uma encomenda, fazendo votar de forma repentina sem a presença dos senhores Senadores e sem nenhum debate consistente. Fica aqui a minha revolta! Que eu posso fazer? O que estou fazendo. Através das rádios que derem abrigo a este meu lamento, a esta minha indignação, levando ao conhecimento do Brasil o que acontece no Senado. Espaço aéreo brasileiro agora entregue aos EUA. Já entregaram o petróleo, já estão vendendo a Embraer, a Eletrobras… Brasil para os brasileiros, não mais. ¹

BOEING E EMBRAER – O CAVALO DE TROIA DA AVIAÇÃO

Em artigo que escrevi recentemente, informei que a venda da Eletrobrás representa um grande jogo e que por de trás estaria a entrega da maior infraestrutura de telecomunicações ópticas por OPGW da América.

Neste momento trago uma nova informação que acredito ser tanto ou mais agressiva e problemática para a Soberania Nacional;

A venda da EMBRAER para a multinacional estadunidense, BOEING.

Em relação a parceria comercial, acredito que seja vantajoso para as duas empresas, visto que seria aberto “novas portas” em mercados hoje fechados, tanto para a multinacional, como para a EMBRAER.

O problema é que a multinacional BOEING poderá passar a deter o capital majoritário, permitindo o acesso irrestrito a todas as atividades de desenvolvimento e inovação da EMBRAER. Terá o domínio de tecnologias críticas, de conteúdos tecnológicos e industriais nacionais.

Além das tecnologias da Divisão de Aeronaves, setor responsável pela maior fatia do faturamento bruto da empresa, poderá ter o “poder de mando” sobre um setor vital para a Segurança Nacional, a Embraer Defesa & Segurança (EDS).

Explico:

A EMBRAER-EDS, é responsável por vários projetos imprescindíveis e estratégicos junto às Força Armadas.

No exército, o projeto SISFRON, que exerce vigilância e proteção das fronteiras terrestres do país, alcançando atualmente 650 quilômetros (Projeto piloto), mas que na fase final chegará a 16.886 quilômetros, faixa fronteiriça que separa o Brasil de 11 países vizinhos, compreendido em dez estados da Federação.

Ou seja, são praticamente 30% de todo território nacional que terá segurança de alto nível, através de diversos equipamentos, entre eles, radares (fixos e móveis), câmeras de longo alcance e sensores óticos.

É bom salientar, que se trata de uma área responsável pela entrada da maior quantidade de armas, drogas e contrabando em geral, que hoje tem papel fundamental no “estado de guerra civil” que se encontram diversos estados do país.

Na área satelital, a “Visiona Tecnologia Espacial”, empresa brasileira integradora de sistemas espaciais, criada por iniciativa do governo brasileiro em 2012, é responsável pela aquisição do satélite brasileiro SGDC -1, objetivando atender às diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE) e da Estratégia Nacional de Defesa (END).

É uma joint-venture entre a Telebrás, com 49% do capital e a Embraer, detentora de 51%.

Na Força Aérea Brasileira, a EMBRAER DEFESA E SEGURANÇA – EDS é a responsável pelo Programa Gripen E/F, o novo jato de combate multitarefa.

Trata-se de um projeto que envolve conhecimento científico “de ponta”, com um programa de transferência de expertise tecnológica entre Brasil e Suécia, com centena de engenheiros brasileiros recebendo treinamento e conhecimento, que trarão o “estado da arte do setor” para o Brasil.

Faz parte deste acordo, desenvolvimentos industriais para a produção do avião em território brasileiro, envolvendo diversos parceiros domésticos, empresas estratégicas de defesa (EED).

Como exemplo citamos a empresa Aero-Estruturas, AKAER;

“Reconhecida como uma System House brasileira e integrante do Grupo Embraer, especializada no desenvolvimento de soluções para missões críticas e tecnologias para apoio à tomada de decisão, tem como foco de atuação os mercados de Defesa e Segurança Pública, Tráfego Aéreo e mercado Corporativo”.

A ATECH participa também do programa P-3BR, no desenvolvimento do Sistema Tático de Missão (TMS) e em parceria com a FAB e a SAAB, das atividades de transferência de tecnologia, desenvolvimento dos sistemas de suporte à missão, treinamento e simulação da aeronave Gripen E/F no Programa F-X2.

Na Marinha do Brasil, participa do desenvolvimento do Sistema Tático de Missão Naval, dos helicópteros do Programa H-XBR, que tem em seu escopo, a interface de comunicação com o sistema de arma do helicóptero, mísseis anti-navio do tipo Exocet e todo o gerenciamento de informações transmitidas pelos diversos sensores instalados na aeronave, auxiliando o operador e piloto na tomada de decisões.

Este “Cavalo de Troia” da aviação, poderá se tornar uma triste realidade, caso se concretize a negociação EMBRAER-BOEING sem salvaguarda e o cuidado de se preservar os valores e interesses nacionais. Na verdade, poderá deixar o Brasil em situação de vulnerabilidade diante de um quadro de geopolítica mundial agressivo e corporativista e de uma guerra comercial mundial recém iniciada pelo governo dos EUA.

Acredito ser necessário e imprescindível que as Forças Armadas atuem para impedir este crime de lesa pátria, pois não podemos entregar para outro país, domínios e conhecimentos tecnológicos em sistemas de satélites, aviação, sensores, linguagens de criptografias, anti-virus, radares, tecnologias de propulsão, tecnologias de mísseis, armamento teleguiados, etc etc

Não podemos desprezar uma infraestrutura sensível, ferramenta imprescindível para o desenvolvimento nacional.

Não podemos desconsiderar setores fundamentais de garantia da Segurança Nacional.

A entrega de conhecimentos estratégicos e sensíveis, fere de morte vários preceitos e garantias constitucionais e nos deixará ainda mais distantes do centro de poder mundial, pois sem domínio e expertise tecnológica, jamais faremos parte deste seleto grupo e não é por falta de capacidade, esta, nós temos sobrando. ²

Autor: Autor: Carlos Des Essarts Hetzel

Sugestão de leitura de Pedro Augusto Pinho

Fontes: ¹ conversaafiada.com.br ² viomundo.com.br

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