US$ 2 bilhões da CIA para o golpe turco: Quem é o general Campbell e como ele preparou o golpe turco.


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General John F. Campbell. O antigo comandante da International Security Assistance Force (ISAF) e executante operações da NATO no Afeganistão, o general Johh F. Campbell é uma figura chave por trás da tentativa de golpe na Turquia segundo os autores de uma investigação independente do jornal turco Yeni Safak. [1]

Segundo as suas fontes, ele foi responsável pela coordenação e direcção dos soldados que participaram nos eventos de 15-16 Julho. Campbell conduziu os preparativos na Turquia durante oito meses e meio. Sob a sua direcção estava originalmente um grupo de cerca de 80 agentes da CIA, os quais através da organização terrorista Fethullah Gulen (FETÖ) inseriu grupos subversivos dentro do exército e instou a liderança militar da Turquia a apoiar o golpe.

O general americano manteve reuniões regulares secretas em bases militares turcas – Erzurum e Incirlik. Fontes militares acreditam que somente ele estava encarregado da promoção e afastamento de oficiais nestas bases. Os seguidores de Gulen avançaram mais rapidamente na sua carreira, recebiam salários mais altos e tinham outros benefícios. Os arquivos dos gulenistas foram descobertos durante investigações em Incirlik, os quais continham dossier extensos sobre cada membro da rede de agentes e membros das suas famílias.

Após o golpe fracassado Cahit Bakýr e Şener Topçu foram presos no aeroporto de Dubai por generais turcos. Ambos se encontravam com Campbell no Afeganistão, onde lideravam um contingente turco de forças da NATO. Segundo alguns militares turcos, americanos no Afeganistão trabalham activamente com os militares, convertendo-os em gulenistas. Dissidentes e patriotas eram fisicamente eliminados, sob circunstâncias convenientes. Hoje os antigos associados de Campbel estão a testemunhar, um após o outro, revelando as cadeias da rede pela qual a CIA havia literalmente enredado a Turquia.

Os EUA proporcionaram pelo menos US$2 mil milhões para as despesas. Os fundos, vindos através de bancos africanos, eram distribuídos por Campbell. Em troca da ajuda os golpistas prometiam dar permissão aos Estados Unidos para abrirem uma nova base militar na fronteira turco-síria, equipada com a tecnologia mais actual. Também entre os acordos estava o aumento da pressão económica e militar sobre a Rússia, a qual mudaria gravemente o equilíbrio de forças na região.

Contudo, Washington não planeava dotar a junta de plenos poderes. Campbell preparava um regime leal e confiável sob a trela curta da inteligência estado-unidense. No caso de independência excessiva dos rebeldes havia um “plano sírio”, o qual incluía nova propagação de instabilidade para mergulhar a Turquia no caos de acordo com o modelo do Afeganistão, Líbia, Iraque e Síria.

Os Estados Unidos têm utilizado o mesmo esquema desde Osama bin Laden, o qual, na sua entrevista de 1993 [2] intitulada “Guerreiro anti-soviético coloca seu exército na estrada da paz” (“Anti-Soviet warrior puts his army on the road to peace”), afirmou:

“A imprensa egípcia afirma que ele trouxe centenas de antigos militantes árabes do Afeganistão para o Sudão e a palavra que corre nas embaixadas ocidentais em Cartum é que alguns dos “afegãos” que vieram com o homem de negócios saudita estão agora ocupados a preparar-se para futura jihad na Argélia, Tunísia e Egipto. O sr. Bin Laden está bem consciente destes rumores. “Isto é uma insensatez jornalística-diplomática”, disse ele, “sou engenheiro civil e perito em agricultura. Se eu tivesse campos de treino aqui não conseguiria trabalhar no meu projecto”.

Como se não houvesse 23 anos de conflito sangrento e uma monstruosa orgia de terror, como se toda a gente houvesse esquecido como os EUA financiaram aqueles ou outros “guerreiros, a liderarem seus exércitos para a paz” por todo o Médio Oriente e o Norte da África. Fethullah Gülen está agora a entrevistas e conferências e imprensa assim a partir do seu refúgio nos Estados Unidos. Apesar dos pedidos oficiais de autoridades turcas, o governo americano não perturbara o pregador terrorista e seus livros, agentes de influência e escolas totalmente sectárias do movimento “Khezmet” gradualmente propagar-se-ão pelo mundo, apesar das restrições.

Onde está o general Campbell, que com seus cúmplices planeava a sangue frio o massacre nas ruas de Ancara e Istambul (e também responsável pela crueldade com a qual uma multidão colérica tratou soldados golpistas) e que, em caso de fracasso, estava pronto para lançar a Turquia num conflito sangrento? O herói americano sem medo e sem falhas só enfrentará uma repreensão pelo fracasso da operação e afundou-se na sombra. Talvez para treinar novos recursos humanos e carpinteirar novas redes de inteligência para algum outro golpe militar.

Notas:
[1] Yeni Safak : Jornal conservador turco.
[2] O autor refere-se à entrevista dada a Robert Fisk, a qual não foi presencial mas sim por escrito. É duvidoso que em 1993 Osama bin Laden ainda estivesse vivo. A farsa da “execução” de bin Laden no Paquistão em 2011, ordenada por Obama, só engana quem quer se deixar enganar.

Autora: Anastasia Kazimirko-Kirillova

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: fort-russ.com

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