A invasão ‘já não mais’ silenciosa da América Latina.


Já sabemos todos sobre este tema, e mesmo que seja uma notícia conhecida é muito interessante e IMPORTANTE para nós…

Os marines dos EUA põem os pés no Paraguai.

O governo paraguaio autorizou o ingresso de 400 soldados americanos e lhes deu imunidade. Instalam-se em uma base militar no deserto. A decisão causa incerteza: uma base avançada para controlar a região?

Separado por quase 1.000 metros de altura, através de uma tênue neblina, parece uma traço de giz sobre uma interminável lousa verde. Mas quando o motor do avião do Clarín tosse ao diminuir a marcha e o aparelho se inclina para o mergulho sobre uma descida rasante, a pista de aterrizagem da base Mariscal Estigarribia então a vista vai se mostrando em toda sua dimensão, como o que em essência é: um enorme porta-aviões no meio do nada.

Construída nos anos 80 por técnicos dos EUA convocados pela ditadura de Alfredo Stroessner, a pista de asfalto cinza tem 3.800 metros de comprimento e oitenta de largura — o dobro que a do Aeroparque portenho— e está ainda em perfeto estado. Os especialistas asseguram que é tão sólida e ampla que pode receber aviões de grande envergadura como bombardeiros e de transporte de tropas e equipamentos militares de grande peso (B-52, C-130 Hércules, C-5 Galaxy e KC 135, entre outros). É absolutamente sobredimensionada para as necessidades da Força Aérea paraguaia, que opera com apenas 8 aviões Xavante e Pillán de porte médio, e oito aviões Cessna de treinamento. A base conta com um enorme radar —hoje inativo— para controle de tráfego aéreo, sistemas de aterrizagem noturno, postos de reabastecimento de combustível e amplos hangares.

A pista —que “é maior que a do aeroporto de Assunção”, segundo disse a este enviado o porta-voz do Exército, coronel Elio Flores Servín— é hoje o símbolo do debate aberto no Paraguai sobre a presença de tropas americanas naquele país e as versões de que Washington busca instalar uma base militar no Paraguai. As suspeitas sobre a chegada dos “marines” se despertaram em meados de junho quando, mediante um artígo do Clarín, os paraguaios tomaram conhecimento de que seu Congresso havia aprovado em 26 de maio uma lei que concede imunidade às tropas dos EUA, algo pelo que a Casa Branca vem pressionando sem êxito a Argentina e o Brasil. A novidade do caso é que, pela primera vez na historia paraguaia, se autorizou a entrada da ordenação de 400 soldados americanos para treze temas sobre segurança e defesa no ambito operacional de treinamento e doutrinação, junto a tarefas de assistência médica e social aos mais pobres. Os exercícios bilaterais são habituais desde a década de 60, mas nunca antes se haviam autorizado por tanto tempo -se estenderam durante 18 meses até dezembro de 2006- e foram prorrogadas. As fontes consultadas pelo Clarín estimam que a presença de efetivos americanos é parte de uma operação muito mais ambiciosa do que oficialmente se admite.

“A agenda dos EUA e do Paraguai se complementou em materia de segurança e defesa”, comentou ao Clarín o vice-presidente paraguaio, Luis Castiglioni.


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A nova relação entre Assunção e Washington foi selada em agosto com a surpreendente chegada ao Paraguai do chefe do Pentágono, o “falcão” Donald Rumsfeld. Mas segundo confirmaram ao Clarín fontes oficiais e periódicas, os primeiros contatos se remontam a inícios do ano intermediado por Castiglioni, um político visto com simpatia pelo empresariado guaraní. O vice-presidente foi entrevistado em Washington pelo seu colega Dick Cheney, Rumsfeld e o diretor do FBI. Posteriormente, o presidente Nicanor Duarte Frutos se viu com George Bush e Rumsfeld. O dato é relevante: nunca antes um presidente paraguaio havia sido recebido oficialmente na Casa Branca.

A dez quadras da enorme pista se levanta uma vila militar, do Terceiro Corpo do Exército, e uma população civil que tem crescido declinada sobre as necessidades militares. A zona se encontra a 200 quilõmetros da fronteira com a Bolivia, na ocasião em que a lupa de Washington se depositava sobre o Altiplano e indicava ao venezolano Hugo Chávez —o demônio regional para o governo de Bush— como o instigador da instabilidade na zona. “Chegaram emails da Europa, perguntando-nos quando chegam os marines”, comenta ao Clarín o padre Nelson Fretes, da parroquia de Estigarribia.

Exercicios na Argentina

Tropas dos Estados Unidos também realizam, e desde há anos, exercicios militares na Argentina. Mas nosso país vem se opondo à pretensão americana de que os soldados desse país se movem com imunidade diplomática.

Com a aprovação do Congresso, como tem sido feito desde a década de noventa, uma série de exercicios combinados permitem o ingresso ao país de tropas dos Estados Unidos e outros países do continente. Este tipo de permissão só pode outorgá-los o Congresso, segundo está contemplado na Constitução.

Diferentemente do que ocorreu no Paraguai, o Congresso argentino só autorizou o ingresso das forças para exercicios específicos que antes de 31 de agosto de 2006.

“A Argentina mantem seu critério de não outorgar imunidades especiais às tropas extrangeiras”, ratificou o ministro de Defesa, José Pampuro

A Tríplice Fronteira.

Na América Latina, um dos principais focos destas tropas é a Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina. A estratégia nesta região combina campanhas de propaganda sobre uma suposta “ameaça terrorista”, com a presença de militares americanos, favorecida pelo acordo militar bilateral dos Estados Unidos com o Paraguai. Para tratar de implicar Brasil e Argentina em sua estratégia, em julho de 2006, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma resolução pedindo que o presidente Bush formasse uma força tarefa para atuar contra o “terrorismo no Hemisferio Ocidental, especialmente na Tríplice Fronteira”.

Invasão ‘silenciosa’ dos EUA na América Latina. Clique na imagem para ampliar.

O Congresso propõe além disso que os Estados Unidos pressione os países membros da Organização de Estados Americanos (OEA) para que classifiquem Hizbollah e Hamas como organizações terroristas. A resolução aponta principalmente para que o governo brasileiro mude sua política externa, que tradicionalmente não aceita o conceito de “organizações terroristas”, mesmo se fato forem “atos terroristas”.

O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Roberto Abdenur, manifestou “profunda incomodo” com a resolução e declarou que inclusive a “Casa Branca reconhece que não há atividades de terrorismo operacional na região”. O prefeito da cidade fronteriça de Foz do Iguaçu, Paulo Ghisi, afirmou “não aceitar mais essa discriminação”. O presidente do Centro Cultural Islâmico em Foz do Iguaçu, Zaki Moussa, conclui: “Eles querem a região, não os árabes. Todo mundo sabe a importancia geopolítica da Tríplice Fronteira, inclusive pela concentração de àgua doce”.

O exemplo da Tríplice Fronteira mostra a relação de uma estratégia militar com o controle de recursos estratégicos. No Paraguai, as elites locais apoiam ações militares e paramilitares, sobre tudo em áreas onde as organizações rurais estão mais organizadas. O objetivo é expulsar os trabalhadores do campo de suas terras para abrir espaço para o latifúndio, sobre tudo para a produção de soja. Por tanto, a região combina os interesses estratégicos dos Estados Unidos na América do Sul, com a preservação do poder das oligarquias do agronegócio.

O “humanitarismo” como pretexto.

Um conceito amplamente difundido, que garantiu apoio da sociedade americana a uma série de invasões militares foi a idéia de “intervenções humanitárias” ou “guerras preventivas”, como ocurreu em Panamá, Somália, Haiti, Bósnia, Colômbia, Afeganistão e inclusive nas duas guerras contra o Iraque, onde soldados norte-americanos pensavam que sua misão era “liberar” aquele país. Essas intervenções serviram para garantir controle territorial, recursos naturais, políticas econômicas neoliberais e de “livre mercado”, mesmo com o pretexto de assegurar a “estabilidade”, a “democracia” e a “segurança” naqueles países.

A UNASUL é o maior intento de integração sulamericana desde as propostas dos nossos libertadores e em sua curta infância já sofre os embates do divisionismo, das traições, dos pessimismos. Outra vez o fantasma do infortúnio e do fracaso ameaça deteriorar e romper com o sonho de unidade. Outra vez os Estados Unidos atua públicamente ou de maneira clandestina para liquidar os poucos avanços integracionistas desta parte do mundo.

Apesar dos esforços yankes e do submetimento de Uribe ao império, a UNASUL não fracassou nem em Bariloche nem em Quito. Os governos -em esmagadoura maioria- rejeitaram a presença militar yanke na América Latina e condenaram o entreguismo de Uribe ao império, demonstrado na entrega de sete bases militares para uso de Washington e sua intencionalidade recolonizadora. Tanto em Bariloche como em Quito ocorreram diálogos produtivos entre os governos e se tem mostrado transparente a corrida armamentista desatada pelos Estados Unidos e suas permanentes ameaças bélicas contra os países da América do Sul. Se não existissem essas reais ameaças, teria que se perguntar ao Pentágono acerca das razões da instalação nas bases militares que mantêm na América Latina e no Caribe, a formidável patrulhagem que realiza a IV Flota em águas costeiras do Atlântico e do Caribe e as verdadeiras intenções de seus interesaes para ocupar neocolonialmente sete bases militares na Colômbia.

Fonte: Los marines de EE.UU. ponen un pie en Paraguay.

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