EUA criam sistema de Ataque Global Imediato.


Por mais de uma década os Estados Unidos tem procurado desenvolver armas não-nucleares que poderiam atingir alvos distantes em um curto período de tempo. No entanto o debate sobre o Programa de Ataque Global Imediato Convencional tem sido dominado por um tema – a possibilidade de que a Rússia (ou outro estado observador) possa confundir uma dessas armas com uma arma nuclear e lançar uma resposta nuclear. Infelizmente, esse foco especificamente ignora outros riscos estratégicos mais graves, bem como benefícios estratégicos.

Por mais triste que pareça, a corrida armamentista não é coisa do passado. Os EUA continuam desenvolvendo um conceito de “ataque-relâmpago global”, que obriga a Rússia a retribuir com as medidas adequadas, inclusive, aperfeiçoar suas próprias concepções estratégicas.

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O programa de “ataque-relâmpago global” (Prompt Global Strike, PGS) constitui um conjunto de medidas, visando a modernização de armamentos estratégicos convencionais existentes e a criação de outros tantos não nucleares. No primeiro caso, se trata, sobretudo, de mísseis balísticos intercontinentais de todos os tipos, munidos de cargas convencionais. Algumas projeções iniciadas pressupõem a criação de mísseis de cruzeiro hipersônicos e drones estratosféricos, também hipersônicos.

Ora, a combinação de sistemas modernos de teleguiamento com as velocidades hipersônicas deverá garantir a realização da meta principal – a possibilidade de desferir um golpe em qualquer ponto da Terra uma hora após a respectiva ordem.

Assim, na mira poderão ficar vários alvos – um abrigo de cabecilhas terroristas, um campo de rebeldes, um quartel-general de um adversário militar e até rampas de lançamentos de seus mísseis.

Claro que um golpe rápido e global não será desferido aos aliados da OTAN, à Arábia Saudita e nem sequer aos talibãs afegãos. Este sistema é destinado à Rússia, sustenta Viktor Litovkin, do periódico Nezavissimoe Voennoe Obozrenie (Revista Militar Independente):

“Tal sistema custa os olhos da cara e só se justifica aplicá-lo em alvos igual ou até mais caros do que as armas empregues para o efeito. Eis porque os EUA, projetando tais sistemas de ataque rápido global, pretendem utilizá-los para estabelecer o seu domínio. Este é o primeiro ponto. O segundo ponto é que, deste modo, será possível diminuir a possibilidade de um golpe de resposta mediante o emprego de mísseis estratégicos russos ou chineses.

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Convém dizer que, nos últimos dias, a apreensão quanto ao perigo do PGS foi expressa, reiteradas vezes, por altos governantes russos – o presidente Putin, o vice-primeiro-ministro Dmitri Rogozin e o vice-ministro das Relações Exteriores, Serguei Riabkov. Todos são unânimes na opinião que a progressão do PGS leva ao rompimento do equilíbrio estratégico, podendo, sem exagero, acarretar graves consequências.

É óbvio que vencer os EUA por meios convencionais é quase inexequível. Tal será impossível para qualquer país ou coalizão de países, realçou Mikhail Khodarenok, membro do Conselho Social junto da Comissão Industrial-Militar do Governo da FR.

“A potência das Forças Armadas norte-americanas é muito grande. O exército dos EUA, que supera em muito os exércitos de outros países, não poderá ser contido por meios convencionais. Por isso, a Rússia deverá garantir a soberania e a segurança nacional mediante as armas nucleares”.

O comandante-em-chefe das Tropas de Mísseis Estratégicos, Serguei Karakaev, disse há dias que no primeiro semestre de 2014 ao governo será apresentado um projeto de complexo de mísseis ferroviários. Tais trens militares, que desempenham o papel de centros de comando móveis e rampas de lançamento para mísseis balísticos, surgiram ainda na época soviética e foram retirados do serviço em 2005 ao abrigo do Tratado sobre a Redução de Armamentos Estratégicos Ofensivos (START-2), assinado pelos presidentes Boris Yeltsin e George Bush em 1993.

Esse acordo, que foi firmado, segundo enfatizou Mikhail Khodarenk, por razões políticas conjunturais, veio causar um enorme dano à capacidade defensiva do país e ao ramo de mísseis estratégicos, em particular. O novo convênio, START-3, celebrado em 2010 pelo Presidente Dmitri Medvedev e Barack Obama não proíbe a criação de novos complexos de mísseis.

É evidente que os complexos de mísseis ferroviários serão reproduzidos com base em tecnologias mais avançadas, pois se trata de um ramo militar muito importante para a Rússia, prossegue Mikhail Khodarenok:

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“Se as rampas de lançamento fixas, baseadas em terra, são conhecidas do hipotético adversário, os complexos ferroviários móveis serão um dos meios eficientes de contenção do adversário potencial. Dificilmente detectáveis e produzidos em quantidades suficientes, poderão desferir um potente golpe de resposta”.

Claro que os “trens blindados nucleares” não constituem o único meio que a Rússia avança, reagindo à instalação da DAM e ao PGS. A julgar por tudo, Moscou já iniciou a realização de medidas de resposta perante os novos desafios que está enfrentando. Como se apurou, para além dos complexos de mísseis Iskander, transferidos para a fronteira ocidental da Rússia, armas idênticas foram estacionadas nas zonas meridionais do país. Como se pode ver, a Federação da Rússia não deixa de ser um alvo caro demais para seus hipotéticos adversários.

Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/2013_12_20/EUA-criam-armas-dispendiosas-para-alcan-ar-alvos-caros-4203/